A Febre Amarela é uma doença infecciosa grave causada por vírus e transmitida por picadas de mosquitos. Geralmente há um aumento de casos no período entre dezembro e maio. Muitas vezes, quem contrai o vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias.

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A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.

Dose fracionada

As populações de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia receberão a dose fracionada da vacina de febre amarela. A meta é vacinar 95% de 19,7 milhões. O objetivo é evitar a circulação e expansão do vírus. A dose padrão da vacina continuará sendo administrada em alguns grupos.

A campanha de fracionamento da vacina promovida pelo Ministério da Saúde vem para evitar o aumento de casos e mortes, já que o vírus entrou em uma área com elevada densidade populacional, sem recomendação anterior de vacinação. A meta de vacinação é de 6,3 milhões de pessoas em todo o Estado de São Paulo. A campanha será realizada de entre os dias 3 e 24 de fevereiro.

A dose padrão da vacina de Febre Amarela é de 0,5 mL. Já a dose fracionada pode ser de até 0,1 mL, o que representa 1/5 da dose padrão. Portanto, nesse caso, um frasco com 5 doses da vacina de Febre Amarela, por exemplo, pode vacinar até 25 pessoas. Essa estratégia foi utilizada anteriormente no controle da epidemia na República Democrática do Congo pela OMS, que utilizou 1/5 da dose padrão da vacina de Febre Amarela produzida pela Bio-Manguinhos/Fiocruz. Na ocasião, 7,8 milhões de pessoas foram vacinadas em 15 dias. Também foi empregada numa grande epidemia de Febre Amarela que ocorreu em Angola nos anos 2015 e 2016 e os resultados estão sendo avaliados. No entanto, o governo destacou que trabalhará com uma margem de segurança, dividindo cada dose em 4 partes iguais.

“Sabemos que para os primeiros anos após a vacinação, a dose fracionada funciona perfeitamente. Há vários indícios de que, talvez, a dose fracionada seja tão boa quanto à dose completa. Com certeza essa medida de se aplicar a dose fracionada é adequada ao momento em que se deseja evitar uma situação de grande número de casos de uma doença tão grave como a Febre Amarela”, avalia o Dr. Carlos Magno Fortaleza, infectologista da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu.

Porém, alguns públicos não são indicados para receber a dose fracionada e irão participar da campanha recebendo a dose padrão: crianças de 9 meses a menores de dois anos; pessoas com condições clínicas especiais (vivendo com HIV/Aids, ao final do tratamento de quimioterapia, pacientes com doenças hematológicas, entre outras), gestantes e viajante internacional (devem apresentar comprovante de viagem no ato da vacinação). A vacinação fracionada é recomendada para pessoas a partir dos dois anos. A vacina também é contraindicada para pacientes em tratamento de câncer, pessoas com imunossupressão e pessoas com reação alérgica grave à proteína do ovo. No caso dos idosos, a vacinação deverá ser aplicada após avaliação dos serviços de saúde.

A vacinação contra Febre Amarela impede a doação de sangue por um período de quatro semanas. As pessoas devem realizar a doação de sangue antes da vacinação para manutenção dos estoques dos bancos de sangue.

Estudo recente realizado pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) comprovou que a dose fracionada da vacina de Febre Amarela é eficaz por, pelo menos, 8 anos. O estudo avaliou 319 militares vacinados com a dose fracionada em 2009 e, após 8 anos, verificou-se a presença de anticorpos contra a doença em 85,3% dos participantes, semelhantes ao observado com a dose padrão neste mesmo período (88%). Dessa forma, os resultados dão suporte ao uso de doses fracionadas da vacina de Febre Amarela.

Quem não pode tomar a vacina

– Pessoas que já tomaram a vacina anteriormente
– Gestantes
– Crianças menores de 9 meses
– Mulheres amamentando crianças menores de 9 meses
– Pessoas com câncer em tratamento de quimioterapia e/ou radioterapia
– Transplantados de órgãos sólidos e/ou medula óssea
– Pessoas com doenças hepáticas, hematológicas, renais ou neoplásicas
– Pessoas em uso de medicamentos corticoides
– Portadores de HIV/Aids e qualquer doença imunossupressora
– Pessoas em uso de medicamentos imunossupressores
– Pessoas com alergia grave ao ovo e derivados da galinha
– Pessoas com Lúpus, Artrite Reumatóide, Miastenia Gravis, doenças do Timo e doença de Addison

Fonte: Ministério da Saúde, Bio-Manguinhos/Fiocruz, Faculdade de Medicina da Unesp/Botucatu, Prefeitura de São Paulo, Prefeitura de Itapecerica da Serra

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