A procuradora da República em São Paulo Adriana Scordamaglia formalizou nesta segunda-feira (14) novo pedido de prisão preventiva contra Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa e apontado por investigadores como operador financeiro do PSDB. A iniciativa foi provocada pelo próprio Paulo Preto, uma vez que ele não se apresentou para audiência judicial marcada para hoje na 5ª Vara Federal Criminal de SP.

José Cruz/Agência Brasil


Apontado como operador do PSDB, Paulo Preto é acusado de depositar mais de R$ 120 milhões no exterior

A informação foi veiculada há pouco pela jornalista Mônica Bergamo em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo. Segundo a reportagem, Adriana Scordamaglia pediu a prisão depois de constatar que Paulo Preto, que também é engenheiro, não compareceria à audiência. O investigado foi solto na última semana por meio de um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Deixar passar em branco tal desídia significa desacreditar que a Justiça de primeiro grau tem extremado valor para todo o sistema jurídico brasileiro”, registrou a promotora em seu despacho, acrescentando que detenção se faz necessária garantir a instrução processual e a ordem pública.

A defesa de Paulo Preto, acrescenta a colunista, explicou que o cliente deixou de ir à 5ª Vara Criminal propositalmente, pois o STF havia determinado que a juíza Maria Isabel do Prado, responsável pelo processo, não desse início à instrução processual antes de ter acesso aos argumentos da defesa, que pedem absolvição sumária do engenheiro.

“A defesa ainda diz que, por isso, o engenheiro não desobedeceu ‘qualquer decisão desse ilustre juízo’, mas sim cumpriu o que havia sido determinado pelo Supremo”, acrescenta a reportagem, lembrando que a juíza Maria Isabel ainda não decidiu sobre o pedido de prisão. Não há prazo determinado para a análise do pedido de prisão.

Depósitos “numerosos” no exterior

Como este site mostrou em 7 de maio, Paulo Preto abriu quatro contas no banco Bordier & Cie, em Genebra, pouco mais de um mês após ser nomeado diretor de engenharia da Dersa, em 24 de maio de 2007. A movimentação financeira consta de documento sigiloso que autoridades suíças enviaram ao Brasil.

Entre 2007 e 2009, durante o governo de José Serra (PSDB), as contas receberam “numerosas entradas de fundos”. No começo de 2017, quando Paulo Preto decidiu transferir os recursos da Suíça para as Bahamas, as quatro contas tinham um saldo de US$ 34,4 milhões, o equivalente a equivale a R$ 121 milhões.

No comunicado, o Ministério Público da Confederação Suíça informa que as quatro contas não foram as primeiras abertas pelo operador na Suíça. “Em 1993, ele e sua mulher à época começaram a operar com o banco Bordier & Cie, cada um com uma conta. Os procuradores suíços não detalham no documento o saldo dessas contas”, diz trecho de reportagem da Folha de S.Paulo publicada na última semana.

Fonte: Congresso em Foco

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