O Tri­bu­nal de Con­tas da União (TCU) di­vul­gou le­van­ta­men­to iné­di­to nes­ta quarta-​feira (21) por meio do qual apon­ta que 38 ór­gãos e en­ti­da­des fe­de­rais (ve­ja a lis­ta abai­xo), to­dos com com al­to po­der econô­mi­co no go­ver­no cen­tral, “pos­su­em fra­gi­li­da­des nos con­tro­les” em seus con­tra­tos. Se­gun­do o es­tu­do, tais ní­veis de vul­ne­ra­bi­li­da­de sãos “al­tos” e “mui­to al­tos”. As uni­da­des go­ver­na­men­tais têm or­ça­men­to anu­al de R$ 216 bi­lhões, acres­cen­ta o TCU.

TCU


Relatório foi aprovado de maneira unânime no plenário do TCU

O re­la­tó­rio se­rá en­ca­mi­nha­do à Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca. O ob­je­ti­vo é que não só o atu­al go­ver­no to­me ci­ên­cia da si­tu­a­ção, mas tam­bém que os ris­cos de­tec­ta­dos em au­di­to­ri­as se­jam co­mu­ni­ca­dos à equi­pe do go­ver­no de tran­si­ção do pre­si­den­te elei­to Jair Bol­so­na­ro (PSL). Di­ver­sas ou­tras ins­ti­tui­ções pú­bli­cas, pri­va­das ou de eco­no­mia mis­ta (ins­ti­tu­tos, fun­da­ções, hos­pi­tais uni­ver­si­tá­ri­os etc), co­mo a Fun­da­ção Oswal­do Cruz (Fi­o­cruz) e a Fun­da­ção Na­ci­o­nal do Ín­dio (Fu­nai), tam­bém fo­ram lis­ta­das no gru­po de ris­co.

Fo­ram fei­tas au­di­to­ri­as em 287 ór­gãos do Po­der Exe­cu­ti­vo, mui­tos de­les em­pre­sas es­ta­tais do ca­li­bre de Pe­tro­bras, Ban­co Na­ci­o­nal de De­sen­vol­vi­men­to Econô­mi­co e So­ci­al (BNDES) e Cai­xa Econô­mi­ca Fe­de­ral (CEF), mas tam­bém ór­gãos co­mo a Advocacia-​Geral da União (AGU) e o De­par­ta­men­to Na­ci­o­nal de In­fra­es­tru­tu­ra de Trans­por­tes (Dnit).

O ob­je­ti­vo foi au­fe­rir o grau de ex­po­si­ção a ris­cos de cor­rup­ção e de­mais des­man­dos, no que foi cha­ma­do de “ma­pe­a­men­to da ex­po­si­ção a ris­cos”. Fo­ram com­bi­na­dos os “fa­to­res de ris­cos” (po­der econô­mi­co e de re­gu­la­ção) com os “ín­di­ces de ro­bus­tez dos con­tro­les”.

O le­van­ta­men­to es­tá de­ta­lha­do em pa­re­cer, re­pre­sen­ta­do na ilus­tra­ção abai­xo, que foi apre­sen­ta­do pe­la mi­nis­tra Ana Ar­ra­es e apro­va­do pe­lo ple­ná­rio do TCU, por una­ni­mi­da­de, na quarta-​feira (14) da úl­ti­ma se­ma­na. O ar­qui­vo com­ple­to do ma­te­ri­al vei­cu­la­do no si­te do Tri­bu­nal, com re­la­tó­rio in­di­vi­du­al so­bre ca­da ór­gão, só es­ta­rá dis­po­ní­vel na pró­xi­ma segunda-​feira (26).

Veja a relação entre o nível de fragilidade de controle versus poder econômico:

“As fai­xas de­li­mi­ta­do­ras da ex­po­si­ção só são vá­li­das pa­ra o Ín­di­ce de fra­gi­li­da­de de con­tro­les de frau­de e cor­rup­ção (ín­di­ce ge­ral). Pa­ra os de­mais ín­di­ces in­di­vi­du­ais (‘ges­tão da éti­ca e in­te­gri­da­de’, ‘au­di­to­ria in­ter­na’, en­tre ou­tros), as fai­xas não de­vem ser uti­li­za­das pa­ra a ava­li­a­ção ge­ral da ex­po­si­ção, mas sim co­mo in­di­ca­ti­vo in­di­vi­du­al”, ex­pli­ca tex­to in­tro­du­tó­rio ao “ma­pa de ris­co”.

Em um pri­mei­ro de­ta­lha­men­to, o re­la­tó­rio des­cre­ve a si­tu­a­ção dos ór­gãos da ad­mi­nis­tra­ção fe­de­ral com mai­or po­der econô­mi­co e de re­gu­la­ção, no des­cri­ti­vo “ex­tra­to dos 30% mai­o­res”. Oi­to em ca­da dez des­sas ins­ti­tui­ções pú­bli­cas “ain­da es­tão em ní­veis ini­ci­ais de es­ta­be­le­ci­men­to de ges­tão de ris­cos e con­tro­les in­ter­nos”, ano­ta o le­van­ta­men­to.

Uma pro­por­ção mais ele­va­da de ór­gãos em si­tu­a­ção de vul­ne­ra­bi­li­da­de mos­tra que qua­se no­ve de ca­da dez de­les “de­cla­ra­ram que não pas­sa­ram do es­tá­gio ini­ci­al de im­plan­ta­ção de con­tro­les es­pe­cí­fi­cos pa­ra de­tec­ção de com­ba­te à frau­de e cor­rup­ção”. Ain­da se­gun­do o re­la­tó­rio, “102 ins­ti­tui­ções com mai­o­res po­de­res econô­mi­co e de re­gu­la­ção, 70% de­cla­ra­ram que não es­tão im­ple­men­ta­das me­di­das de mo­ni­to­ra­men­to da ges­tão da éti­ca”.

Em um pu­xão de ore­lha nas au­to­ri­da­des do Exe­cu­ti­vo, o TCU cri­ti­ca a ine­xis­tên­cia ab­so­lu­ta e ge­ne­ra­li­za­da de “cri­té­ri­os mí­ni­mos e ob­je­ti­vos pa­ra in­di­ca­ção de di­ri­gen­tes” dos ór­gãos pú­bli­cos. Além dis­so, a re­pri­men­da lem­bra que “as es­ta­tais de mai­or po­der econô­mi­co pou­co avan­ça­ram no es­ta­be­le­ci­men­to de mo­de­lo de da­dos aber­tos, de trans­pa­rên­cia e de ac­coun­ta­bi­lity” – es­tran­gei­ris­mo re­fe­ren­te à cul­tu­ra de ges­tão ba­se­a­da na éti­ca e na res­pon­sa­bi­li­da­de quan­do da pres­ta­ção de con­tas.

Veja a lista com as principais instituições listadas:

- Pe­tro­bras
- Ban­co Na­ci­o­nal de De­sen­vol­vi­men­to Econô­mi­co e So­ci­al (BNDES)
- Trans­pe­tro
- Ban­co Cen­tral do Bra­sil (BCB)
- In­fra­e­ro
- Ban­co da Amazô­nia (Ba­sa)
- Advocacia-​Geral da União (AGU)
- Controladoria-​Geral da União (CGU)
- Mi­nis­té­rio das Ci­da­des
- Mi­nis­té­rio do Tu­ris­mo
- Mi­nis­té­rio da Saú­de
- Em­pre­sa Bra­si­lei­ra de Pes­qui­sa Agro­pe­cuá­ria (Em­bra­pa)
- De­par­ta­men­to Na­ci­o­nal de In­fra­es­tru­tu­ra de Trans­por­tes (Dnit)
- Su­pe­rin­ten­dên­cia do De­sen­vol­vi­men­to da Amazô­nia (Su­dam)
- Agên­cia Na­ci­o­nal de Trans­por­tes Ter­res­tres (ANTT)
- Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Tu­ris­mo (Em­bra­tur)
- Fun­da­ção Na­ci­o­nal de Saú­de (Fu­na­sa)
- Fun­da­ção Oswal­do Cruz (Fi­o­cruz)
- BN­DES­Par (par­ce­ri­as BNDES)
- Su­pe­rin­ten­dên­cia da Zo­na Fran­ca de Ma­naus (Su­fra­ma)
- Con­se­lho Ad­mi­nis­tra­ti­vo de De­fe­sa Econô­mi­ca (Ca­de)
- Ins­ti­tu­to Na­ci­o­nal de Co­lo­ni­za­ção e Re­for­ma Agrá­ria (In­cra)
- Em­pre­sa de Tec­no­lo­gia e In­for­ma­ções da Pre­vi­dên­cia So­ci­al (Da­ta­prev)
- Fun­da­ção Na­ci­o­nal do Ín­dio (Fu­nai)
- BB Se­gu­ri­da­de
- Ban­co do Nor­des­te do Bra­sil (BNB)
- Em­pre­sa Ges­to­ra de Ati­vos (Em­gea)
- Agên­cia Na­ci­o­nal de Águas (Ana)
- Agên­cia Na­ci­o­nal de Avi­a­ção Ci­vil (Anac)
- Agên­cia Es­pe­ci­al de Fi­nan­ci­a­men­to In­dus­tri­al (Finame/​Subsidiária BNDES)
- Agên­cia Na­ci­o­nal de Trans­por­tes Aqua­viá­ri­os (An­taq)
- BB Ges­tão de Re­cur­sos – Dis­tri­bui­do­ra de Tí­tu­los e Va­lo­res Mo­bi­liá­ri­os S.A. (BBDTVM)
- Cai­xa de Fi­nan­ci­a­men­to Imo­bi­liá­rio da Ae­ro­náu­ti­ca (CFi­ae)
- Cai­xa de Cons­tru­ções de Ca­sas pa­ra o Pes­so­al da Ma­ri­nha (CCCPM)
- Cen­trais de Abas­te­ci­men­to de Mi­nas Ge­rais S/​A (Ce­a­sa­Mi­nas)
- De­par­ta­men­to Na­ci­o­nal de Obras Con­tra as Se­cas (DNocs)
- BB Tec­no­lo­gia e Ser­vi­ços
- Ca­sa da Mo­e­da do Bra­sil (CMB)
- BB Con­sór­ci­os
- Co­ma­no da Ma­ri­nha (CM)
- Mi­nis­té­rio do De­sen­vol­vi­men­to So­ci­al (MDS)
- Ins­ti­tu­to Fe­de­ral de Mi­nas Ge­rais (IFMG)
- Ins­ti­tu­to Fe­de­ral do Rio de Ja­nei­ro (IFRJ)
- Fun­do Na­ci­o­nal de De­sen­vol­vi­men­to da Edu­ca­ção (FNDE)
- Li­qui­gás (dis­tri­bui­do­ra da Pe­tro­bras)
- Fun­da­ção Jo­a­quim Na­bu­co (Fun­daj)
- Ele­tro­sul Cen­trais Elé­tri­cas S.A.
- Ser­vi­ço Fe­de­ral de Pro­ces­sa­men­to de Da­dos (Ser­pro)

Fon­te: Con­gres­so em Fo­co

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