Depois de anunciar a “despetização” da administração pública, com a exoneração em massa de mais de 300 servidores da Casa Civil, o ministro Onyx Lorenzoni manteve na pasta dois assessores ligados ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), ex-deputado cassado preso preventivamente em Curitiba e condenado na Operação Lava Jato. A informação é do jornal O Globo.

José Cruz/Agência Brasil


Cunha está preso desde outubro de 2016 em Curitiba, acusado de crimes atribuídos pela Operação Lava Jato

Os advogados Felipe Cascaes Bresciani e Erick Vidigal têm atuação destacada no início do governo Bolsonaro. Bresciani já advogou para Cunha e Vidigal escreveu um artigo defendendo o ex-deputado semanas antes de ser nomeado. Procurada para explicar os motivos da manutenção dos dois assessores, a assessoria de imprensa da Casa Civil não retornou o contato do jornal.

De acordo com O Globo, os dois foram indicados ao governo por Cunha. Bresciani foi o responsável final por um parecer do governo a respeito do indulto a presos, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo próprio presidente na última terça-feira. Ele já participou de reuniões com ministros e Bolsonaro para discutir assuntos como o Estatuto do Desarmamento. Vidigal também já despachou com o presidente.

Onyx anunciou no dia seguinte à posse de Bolsonaro a exoneração de 320 servidores em cargos de confiança e em funções com gratificações na Casa Civil para acabar com a influência do PT na máquina pública. Segundo ele, a intenção era tirar a influência do PT no governo, apesar de o partido estar fora da presidência desde 2016, quando Dilma Rousseff foi cassada em processo de impeachment. Nos últimos dois anos e sete meses, o presidente foi Michel Temer, do mesmo MDB de Cunha.

Certo ajuste

O ministro da Casa Civil disse, na ocasião, que pouparia funcionários da Subchefia de Assuntos Jurídicos porque já trabalha com essa equipe desde novembro, na transição, e já tinha “um certo ajuste” nessa estrutura.

Bresciani e Vidigal foram nomeados menos de uma semana após o afastamento de provisório de Dilma, conta O Globo. Na época, Cunha já estava afastado da presidência da Câmara, acusado de vários crimes. O primeiro advogou para o ex-deputado em processos na Justiça. O segundo escreveu um artigo intitulado “Usufruir de paraísos fiscais não é crime”, em que defende o ex-presidente da Câmara, um mês antes de ser nomeado para o cargo.

De acordo com a reportagem, Vidigal assessorou o advogado Gustavo Rocha no Conselho Nacional do Ministério Público. Rocha também foi indicado por Cunha para a subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo de Michel Temer.

Fonte: Congresso em Foco

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