Exe­cu­ti­vos da em­prei­tei­ra OAS que fe­cha­ram acor­dos de de­la­ção pre­mi­a­da com a ope­ra­ção La­va Ja­to afir­ma­ram à Jus­ti­ça te­rem pa­go cer­ca de R$ 125 mi­lhões em pro­pi­nas ou do­a­ções via cai­xa dois a 21 po­lí­ti­cos de oi­to par­ti­dos, se­gun­do re­por­ta­gem do jor­nal O Glo­bo.

De acor­do com o jor­nal, os no­mes in­clu­em o atu­al pre­si­den­te da Câ­ma­ra, Ro­dri­go Maia (DEM-​RJ), e ou­tros po­lí­ti­cos de pe­so que ain­da es­tão no Con­gres­so, co­mo o de­pu­ta­do Aé­cio Ne­ves (PSDB-​MG) e os se­na­do­res Jo­sé Ser­ra (PSDB-​SP) e Ja­ques Wag­ner (PT-​BA).

Ou­tros de­la­ta­dos ti­nham man­da­to no Le­gis­la­ti­vo fe­de­ral até 31 de ja­nei­ro des­te ano, ca­so do ex-​presidente do Se­na­do Eu­ní­cio Oli­vei­ra (MDB-​CE) e dos se­na­do­res Edi­son Lo­bão (MDB-​MA) e Lind­bergh Fa­ri­as (PT-​RJ).

A de­la­ção dos exe­cu­ti­vos do gru­po foi ho­mo­lo­ga­da pe­lo re­la­tor da La­va Ja­to no Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral (STF), mi­nis­tro Ed­son Fa­chin, em maio do ano pas­sa­do. As de­nún­ci­as, se­gun­do O Glo­bo, par­ti­ram de oi­to ex-​funcionários da “con­tro­la­do­ria de pro­je­tos es­tru­tu­ra­dos”, um se­tor in­ter­no da OAS que con­tro­la­va os pa­ga­men­tos ile­gais à se­me­lhan­ça do de­par­ta­men­to que a em­prei­tei­ra Ode­bre­cht con­fes­sou man­ter pa­ra es­sa fi­na­li­da­de.

Os re­pas­ses da cons­tru­to­ra aos po­lí­ti­cos en­vol­ve­ram, se­gun­do a de­la­ção re­ve­la­da pe­lo jor­nal, con­tra­par­ti­das na con­quis­ta de con­tra­tos pa­ra gran­des obras, co­mo a usi­na de Be­lo Mon­te, es­tá­di­os da Co­pa 2014 e a trans­po­si­ção do rio São Fran­cis­co.

Sem foro privilegiado

Ca­so as de­la­ções da em­prei­tei­ra ge­rem de­nún­ci­as e, even­tu­al­men­te, pro­ces­sos, os de­pu­ta­dos e se­na­do­res que es­tão no car­go não de­ve­rão ter di­rei­to a fo­ro pri­vi­le­gi­a­do.

Des­de maio, o en­ten­di­men­to do Su­pre­mo é de que o fo­ro es­pe­ci­al é res­tri­to a cri­mes co­me­ti­dos du­ran­te o man­da­to e re­la­ci­o­na­dos ao exer­cí­cio do car­go. In­ves­ti­ga­ções de cri­mes co­muns an­te­ri­o­res a es­se pe­río­do têm si­do man­ti­dos na pri­mei­ra ins­tân­cia.

Foi o que ocor­reu, por exem­plo, com as apu­ra­ções so­bre o cres­ci­men­to pa­tri­mo­ni­al do se­na­dor Flá­vio Bol­so­na­ro (PSL-​RJ) e de sus­pei­tas de can­di­da­tu­ras “la­ran­jas” vin­cu­la­das ao Mi­nis­tro do Tu­ris­mo, Mar­ce­lo Ál­va­ro Antô­nio (PSL-​MG).

Veja a lista de delatados pela OAS, segundo O Globo, e o que os citados responderam ao jornal:

Aé­cio Ne­ves (PSDB-​MG), ex-​senador e atu­al de­pu­ta­do
De­la­ção - Re­ce­bi­men­to de cai­xa dois de R$ 1,2 mi­lhão na cam­pa­nha à Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca, em 2014 por meio de con­tra­to fic­tí­cio, além de R$ 3 mi­lhões via do­a­ções ofi­ci­ais, mas clas­si­fi­ca­dos co­mo “van­ta­gem in­de­vi­da”. O tu­ca­no ne­gou ir­re­gu­la­ri­da­des e de­cla­rou que as do­a­ções fei­tas à cam­pa­nha do PSDB em 2014 es­tão de­vi­da­men­te re­gis­tra­das na Jus­ti­ça Elei­to­ral.

Edi­son Lo­bão (MDB-​MA), ex-​senador
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do pro­pi­na de R$ 2 mi­lhões por obras na usi­na de Be­lo Mon­te. A de­fe­sa de Edi­son Lo­bão ale­ga que a OAS faz “ci­ta­ção des­pro­vi­da de pro­vas e de qual­quer ou­tro ti­po de in­dí­cio”.

Edu­ar­do Cu­nha (MDB-​RJ), ex-​presidente da Câ­ma­ra
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do pro­pi­na de mais de R$ 29 mi­lhões de­vi­do a obras da OAS. A as­ses­so­ria do ex-​deputado dis­se ao jor­nal que “es­sa acu­sa­ção se tra­ta de fa­tos re­quen­ta­dos e já apu­ra­dos na ope­ra­ção Sép­sis, on­de Edu­ar­do Cu­nha se de­fen­de e pro­va­rá sua ino­cên­cia”.

Edu­ar­do Pa­es (DEM-​RJ), ex-​prefeito do Rio de Ja­nei­ro
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do cai­xa dois de R$ 25 mi­lhões pa­ra sua cam­pa­nha à pre­fei­tu­ra em 2012. O ex-​prefeito ale­gou, em no­ta, que só re­ce­beu do­a­ções le­gais e “ja­mais fa­vo­re­ceu ou exi­giu con­tra­par­ti­da de qual­quer na­tu­re­za, de quem quer que se­ja”.

Eu­ní­cio Oli­vei­ra (MDB-​CE), ex-​presidente do Se­na­do
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do cai­xa dois de R$ 2 mi­lhões pa­ra sua cam­pa­nha ao go­ver­no do Ce­a­rá em 2014. A as­ses­so­ria do ex-​senador ale­ga que a do­a­ção foi le­gal e apro­va­da na Jus­ti­ça Elei­to­ral

Fer­nan­do Pi­men­tel (PT-​MG), ex-​governador de Mi­nas Ge­rais
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do pro­pi­na de R$ 2,5 mi­lhões por meio de seu ope­ra­dor Be­ne­di­to Oli­vei­ra, o Be­né, quan­do o pe­tis­ta foi mi­nis­tro do De­sen­vol­vi­men­to do go­ver­no Dil­ma. A O Glo­bo, a as­ses­so­ria do PT de Mi­nas Ge­rais in­for­mou que Pi­men­tel es­tá sem as­ses­so­ria des­de que dei­xou o go­ver­no de Mi­nas.

Fle­xa Ri­bei­ro (PSDB-​PA), ex-​senador
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do cai­xa dois de R$ 150 mil pa­ra sua cam­pa­nha ao Se­na­do em 2010. A as­ses­so­ria do se­na­dor ale­ga que ele “não re­ce­beu qual­quer va­lor da em­pre­sa OAS” na­que­la cam­pa­nha.

Ged­del Vi­ei­ra Li­ma, ex-​ministro
De­la­ção - Ter fe­cha­do um con­tra­to fic­tí­cio de R$ 30 mil com um em­pre­sa de pu­bli­ci­da­de pa­ra fi­nan­ci­ar seu si­te pes­so­al.

Ín­dio da Cos­ta (PSD-​RJ), de­pu­ta­do fe­de­ral
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do “va­lo­res es­pú­ri­os” de R$ 1 mi­lhão pa­ra a cam­pa­nha de 2010. Por meio de as­ses­so­ria, o par­la­men­tar de­cla­rou: “To­das as mi­nhas con­tas de cam­pa­nha fo­ram de­vi­da­men­te de­cla­ra­das e apro­va­das pe­la Jus­ti­ça Elei­to­ral”.

Jac­ques Wag­ner (PT-​BA), ex-​governador da Bahia e atu­al se­na­dor
De­la­ção - Re­ce­bi­men­to de pro­pi­na de R$ 1 mi­lhão por meio de um con­tra­to fic­tí­cio, além de re­pas­ses de cai­xa dois. A as­ses­so­ria de Ja­ques Wag­ner di­vul­gou a se­guin­te no­ta: “A de­fe­sa do Se­na­dor Ja­ques Wag­ner in­for­ma que não co­men­ta­rá uma in­for­ma­ção que des­co­nhe­ce, so­bre uma su­pos­ta de­la­ção pre­mi­a­da a qual se­quer te­ve aces­so”.

Sér­gio Ga­bri­el­li, ex-​presidente da Pe­tro­bras
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do me­sa­da de R$ 10 mil du­ran­te o ano de 2013, quan­do já não era mais pre­si­den­te da es­ta­tal.

Jo­sé Ser­ra (PSDB-​SP), ex-​governador de São Pau­lo, ex-​ministro e atu­al se­na­dor
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do cai­xa dois de R$ 1 mi­lhão por meio de um ex-​tesoureiro. Ao jor­nal, Ser­ra afir­mou que “ja­mais re­ce­beu ne­nhum ti­po de van­ta­gem in­de­vi­da” e que su­as con­tas, sem­pre apro­va­das, fi­ca­ram a car­go do par­ti­do.

Lind­bergh Fa­ri­as (PT-​RJ), ex-​senador
De­la­ção - Te­ria re­ce­bi­do um pa­ga­men­to de R$ 400 mil pa­ra ban­car ser­vi­ços do pu­bli­ci­tá­rio João San­ta­na, que co­or­de­na­va cam­pa­nhas do PT

Mar­co Maia (PT-​RS), ex-​presidente da Câ­ma­ra
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do cai­xa dois de R$ 1 mi­lhão na cam­pa­nha elei­to­ral de 2014. O pe­tis­ta afir­mou des­co­nhe­cer do­a­ções a sua cam­pa­nha que não te­nham si­do re­a­li­za­das den­tro da le­gis­la­ção vi­gen­te à épo­ca e res­sal­tou não ser réu em ne­nhum pro­ces­so.

Mar­ce­lo Ni­lo (PSB-​BA), de­pu­ta­do fe­de­ral
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do pro­pi­na de R$ 400 mil em 2012 e ou­tros re­pas­ses em 2013. O par­la­men­tar ne­ga.

Nel­son Pel­le­gri­no (PT-​BA), de­pu­ta­do fe­de­ral
De­la­ção - Re­ce­bi­men­to de re­cur­sos via cai­xa dois de R$ 1 mi­lhão pa­ra cam­pa­nha da Pre­fei­tu­ra de Sal­va­dor em 2012. O ad­vo­ga­do Mau­rí­cio Vas­con­ce­los, que de­fen­de o con­gres­sis­ta afir­mou em no­ta não co­nhe­cer o con­teú­do da de­la­ção.

Ro­dri­go Maia (DEM-​RJ), pre­si­den­te da Câ­ma­ra
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do do­a­ção de R$ 50 mil, via cai­xa dois, em cam­pa­nha à Pre­fei­tu­ra do Rio de Ja­nei­ro em 2012. Ro­dri­go Maia de­cla­rou que ja­mais as­so­ci­ou seu man­da­to a quais­quer em­pre­sas e que a de­nún­cia é uma ila­ção ca­lu­ni­o­sa. Tam­bém afir­mou que to­das as do­a­ções re­ce­bi­das quan­do a lei per­mi­tia do­a­ções em­pre­sa­ri­ais fo­ram re­gis­tra­das e de­cla­ra­das à jus­ti­ça elei­to­ral.

Ro­sal­ba Ci­ar­li­ni (PP-​RN), ex-​governadora do RN
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do do­a­ção de R$ 16 mi­lhões via cai­xa dois em con­tra­par­ti­da à obra da Are­na das Du­nas, es­tá­dio em Na­tal (RN) usa­do na Co­pa 2014. A ex-​governadora afir­mou, via as­ses­so­ria, que “des­co­nhe­ce com­ple­ta­men­te qual­quer tran­sa­ção nes­se sen­ti­do com a OAS”.

Sér­gio Ca­bral (MDB-​RJ), ex-​governador do Rio de Ja­nei­ro
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do cai­xa dois de R$ 10 mi­lhões em sua cam­pa­nha ao go­ver­no do Rio em 2010. A de­fe­sa de Sér­gio Ca­bral afir­ma que “to­dos os as­sun­tos men­ci­o­na­dos nas di­ver­sas ações pe­nais se­rão re­vi­sa­dos e se for o ca­so se­rá es­cla­re­ci­do em juí­zo”.

Val­de­mar Cos­ta Ne­to (PR-​SP), ex-​deputado
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do pro­pi­na de R$ 700 mil nas obras da fer­ro­via Oeste-​Leste. O ex-​deputado afir­mou que não co­men­ta con­teú­dos que ain­da vão ser ob­je­to de exa­me no po­der ju­di­ciá­rio.

Vi­tal do Rê­go, mi­nis­tro do Tri­bu­nal de Con­tas da União (TCU)
De­la­ção - Ter re­ce­bi­do pro­pi­na de R$ 3 mi­lhões pa­ra a cam­pa­nha elei­to­ral de 2014 em tro­ca da blin­da­gem da OAS na CPI mis­ta da Pe­tro­bras, em 2014. A de­fe­sa de Vi­tal do Rê­go dis­se que não te­ve aces­so à de­la­ção, mas que ele rei­te­ra ma­ni­fes­ta­ção fei­ta há três anos: de que não re­ce­beu qual­quer do­a­ção ir­re­gu­lar de cam­pa­nha.

Fon­te: Con­gres­so em Fo­co

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