A Jus­ti­ça do Rio de Ja­nei­ro au­to­ri­zou a que­bra de si­gi­lo ban­cá­rio e fis­cal do se­na­dor Flá­vio Bol­so­na­ro (PSL-​RJ), fi­lho mais ve­lho do pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca, Jair Bol­so­na­ro, e de 88 ex-​assessores que tra­ba­lha­ram no ga­bi­ne­te de­le na As­sem­bleia Le­gis­la­ti­va do Es­ta­do do Rio de Ja­nei­ro, quan­do Flá­vio era de­pu­ta­do es­ta­du­al. A au­to­ri­za­ção foi con­ce­di­da em 24 de abril, a pe­di­do do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co do Rio de Ja­nei­ro e di­vul­ga­da nes­ta segunda-​feira (13) pe­lo jor­nal O Glo­bo.

Reprodução/​Arquivo Pes­so­al Flá­vio Bol­so­na­ro


Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor, Fabrício de Queiroz, quando Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro

A que­bra de si­gi­lo com­pre­en­de o pe­río­do de 2007 a 2018 e tam­bém atin­ge a mu­lher e a em­pre­sa do se­na­dor, pes­so­as e em­pre­sas que fi­ze­ram tran­sa­ções imo­bi­liá­ri­as com ele. O pe­río­do cor­res­pon­de ao tem­po em que Fa­brí­cio Quei­roz es­te­ve vin­cu­la­do ao ga­bi­ne­te de Fla­vio Bol­so­na­ro. De acor­do com o jor­nal Fo­lha de S.Paulo, que tam­bém ob­te­ve in­for­ma­ções so­bre a in­ves­ti­ga­ção, es­te é o pri­mei­ro pas­so ju­di­ci­al da apu­ra­ção en­vol­ven­do Quei­roz, que co­me­çou em de­zem­bro, quan­do re­la­tó­rio do Con­se­lho de Con­tro­le de Ati­vi­da­des Fi­nan­cei­ras (COAF) apon­tou mo­vi­men­ta­ção fi­nan­cei­ra fo­ra do co­mum no va­lor de R$ 1,2 mi­lhão na con­ta do ex-​assessor de Flá­vio Bol­so­na­ro.

A lis­ta dos que te­rão si­gi­lo fis­cal e ban­cá­rio à dis­po­si­ção da in­ves­ti­ga­ção in­clui du­as fi­lhas de Fa­brí­cio Quei­roz, que tam­bém fo­ram fun­ci­o­ná­ri­as de Flá­vio ‚e fa­mi­li­a­res do ex-​Policial Mi­li­tar Adri­a­no da Nó­bre­ga, con­si­de­ra­do fo­ra­gi­do pe­la Jus­ti­ça sob acu­sa­ção de co­man­dar uma mi­lí­cia na zo­na oes­te do Rio de Ja­nei­ro. Tam­bém cons­tam na lis­ta es­tran­gei­ros que ne­go­ci­a­ram imó­veis com o se­na­dor, em uma tran­si­ção que ga­ran­tiu lu­cro de R$ 813 mil pa­ra Fla­vio em cer­ca de um ano e meio.

O se­na­dor co­men­tou a que­bra de seu si­gi­lo fis­cal e ban­cá­rio por no­ta. “O meu si­gi­lo ban­cá­rio já ha­via si­do que­bra­do ile­gal­men­te pe­lo MP/​RJ, sem au­to­ri­za­ção ju­di­ci­al. Tan­to é que in­for­ma­ções de­ta­lha­das e si­gi­lo­sas de mi­nha con­ta ban­cá­ria, com iden­ti­fi­ca­ção de be­ne­fi­ciá­ri­os de pa­ga­men­tos, va­lo­res e até ho­ras e mi­nu­tos de de­pó­si­tos, já fo­ram ex­pos­tas em re­de na­ci­o­nal após o Che­fe do MP /​RJ, pes­so­al­men­te, va­zar tais da­dos si­gi­lo­sos. So­men­te ago­ra, em maio de 2019 - qua­se um ano e meio de­pois - ten­tam uma ma­no­bra pa­ra es­quen­tar in­for­ma­ções ilí­ci­tas, que já pos­su­em há vá­ri­os me­ses. A ver­da­de pre­va­le­ce­rá, pois na­da fiz de er­ra­do e não con­se­gui­rão me usar pa­ra atin­gir o go­ver­no de Jair Bol­so­na­ro”. Nes­ta se­gun­da (13), Flá­vio Bol­so­na­ro já ti­nha da­do de­cla­ra­ções nes­te sen­ti­do em en­tre­vis­ta à im­pren­sa.

A de­fe­sa de Fa­brí­cio de Quei­roz e sua fa­mí­lia tam­bém di­vul­gou no­ta na mes­ma li­nha de ar­gu­men­ta­ção. Os ad­vo­ga­dos afir­mam que a fa­mí­lia “re­ce­be a no­tí­cia com tran­qui­li­da­de uma vez que seu si­gi­lo ban­cá­rio já ha­via si­do que­bra­do e ex­pos­to por to­dos os mei­os de co­mu­ni­ca­ção, sen­do, por­tan­to, me­ra ten­ta­ti­va de dar apa­rên­cia de le­ga­li­da­de a um ato que foi pra­ti­ca­do de for­ma ile­gal”.

Fon­te: Con­gres­so em Fo­co

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