Arquivos de Operação Lava Jato

Quase 15 meses depois de deflagrada a Operação Métis, que apreendeu maletas antigrampo usadas pelo Senado para, segundo a Polícia Federal, obstruir a Operação Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal (STF) atrasa a decisão sobre se mantém ou se anula a investigação. Os equipamentos Oscor 500 estão lacrados numa sala do tribunal sem serem periciados pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC). A defesa dos suspeitos, policiais legislativos do Senado, afirma que a apuração foi aberta por autorização de um juiz de primeira instância, mas contra senadores, que têm direito a foro privilegiado no STF.

Edmilson Rodrigues/Agência Senado


Policiais diante do prédio do Congresso, onde prenderam agentes de segurança do Senado

Enquanto a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, reforça o pedido para que o Supremo libere a investigação para que ela seja concluída, ao menos um dos informantes da PF, o servidor do Senado Paulo Igor Silva, está na iminência de ser demitido, em processo administrativo concluído depois de ele fornecer documentos para os investigadores que atuaram na Métis. Fontes ouvidas pela reportagem asseguram que o caso não será julgado na última sessão criminal do plenário deste ano, na próxima quinta-feira (14).
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A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR) encaminhou uma carta ao Conselho Nacional de Política Penitenciária e Criminal (CNPCP), sugerindo alterações na extensão do indulto natalino realizado anualmente pelo presidente da República. Na carta, procuradores reforçam risco de impunidade da grande corrupção identificada na Lava Jato e outras grandes investigações.

Reprodução


De acordo com os procuradores, “diversos réus condenados por crimes gravíssimos na Operação Lava Jato cumprirão penas irrisórias”

O indulto é o perdão das penas de criminosos e, caso mantidos no futuro os critérios do último decreto de indulto (n.º 8.940/16), diversos réus condenados por crimes gravíssimos na Operação Lava Jato cumprirão penas irrisórias. Pelos critérios atuais, “um condenado por corrupção a 12 anos de prisão será indultado após cumprir 3 anos, se for primário. Um condenado por corrupção a 12 anos de prisão, se for primário e tiver mais de 70 anos de idade, será indultado após cumprir apenas 2 anos”.
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Dizendo trazer experiência de quem passou pelo “Caso Banestado” – que, na década de 1990, investigou escândalo de evasão de dezenas bilhões de reais do Banco do Estado do Paraná –, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, fez duras críticas ao sistema político brasileiro.

Reprodução/Congresso em Foco


Em seminário, procurador diz que parlamentares “não vão arriscar perder o foro privilegiado”

Em sua apresentação no 9º Seminário de Transparência e Controle, em Florianópolis, nesta quarta-feira (30), Carlos Fernando acusou o Congresso de tramar um plano para anistiar políticos investigados dos crimes a eles imputados pela Lava Jato, medida que, segundo ele, põe em risco as apurações dos últimos três anos e meio da maior operação de combate à corrupção da história do país.
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A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em Salvador, Cotia (SP) e Brasília pela 45ª fase da Operação Lava Jato. A nova etapa, batizada de Operação Abate II, mira advogados acusados de participar do esquema de corrupção na Petrobras. Entre eles, o Tiago Cedraz, filho do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz.

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O nome de Tiago Cedraz já havia aparecido na Lava Jato. Relatório da PF apontava indício de que advogado praticou tráfico de influência em tribunal do qual seu pai é ministro

Os advogados são suspeitos de participar de reuniões em que foi definido o pagamento de propina pela contratação da empresa norte-americana Sargent Marine pela Petrobras. Os repasses, segundo a PF, foram feitos por meio de empresa offshore em conta mantida na Suíça.
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Responsável pelos processos e julgamentos da Operação Lava Jato na primeira instância, o juiz federal Sérgio Moro criticou duramente a proposta de reforma política em gestão na Câmara, com a mudança no sistema de eleição de deputados e senadores e a criação de um fundo de R$ 3,6 bilhões para custear campanhas eleitorais. Segundo ele, a proposta articulada no Congresso favorece quem já tem mandato em vez de aproximar o eleitor de seus representantes.

Reprodução


Moro, durante palestra em São Paulo: “Reitero que não serei candidato. Acredito que há de se ter um perfil e não me vejo com esse perfil”

“Essa reforma política como está sendo pensada, não é uma verdadeira reforma política, tem que ser pensada de maneira diferente para se enfrentar esse problema”, declarou durante apresentação no Fórum Mitos & Fatos – Justiça Brasileira, promovido pela Jovem Pan. A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, o ex-ministro do STF Carlos Ayres Britto e os juristas Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo, coautores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, também estavam presentes no evento.
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A defesa do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) divulgou neste sábado (27) nota em que afirma que os documentos e materiais apreendidos pela Polícia Federal na casa do tucano não comprometem a atuação parlamentar dele. Em relatório apresentado à Justiça ontem (26), a PF informou que encontrou um bloqueador de sinal telefônico, uma lista de indicações para cargos federais e anotações manuscritas, dentre elas a inscrição “cx 2”, nas operações de busca e apreensão realizadas na semana passada na casa e no gabinete do senador.

Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


O senador foi alvo de buscas e apreensões em inquérito que tramita contra ele no STF

Em comunicado divulgado pelo PSDB e assinado pelo advogado Alberto Toron, a defesa de Aécio afirma desconhecer a inscrição “cx2” e aguarda ter acesso ao papel para fazer a defesa. Em relação ao aparelho de bloqueio de celulares, o advogado diz que ele foi oferecido ao tucano em 2014, durante a campanha presidencial, mas que nunca foi usado pelo mineiro.
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin divulgou o áudio do encontro entre o empresário Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS, e o presidente Michel Temer. A divulgação foi feita após a decisão do ministro, que retirou o sigilo dos depoimentos de delação do empresário.

Wilson Dias/Agência Brasil


Supremo Tribunal Federal

O áudio tem cerca de 40 minutos. Na conversa, Temer e Batista conversam sobre o cenário político, os avanços na economia e também citam a situação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi preso na Operação Lava Jato, por volta dos 11 minutos. Para ouvir a conversa na íntegra, clique aqui.
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As notícias de que o presidente Temer avaliza compra de silêncio do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), condenado há 15 anos e quatro meses de prisão por envolvimento no petrolão, e de que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi gravado pedindo dois milhões em propina para o dono da JBS, caíram como uma bomba no mundo político em Brasília. E, como já aconteceu durante a divulgação da lista de Fachin sobre políticos investigados na Operação Lava Jato, esvaziou o Congresso em dez minutos. Até pedido de impeachment já foi protocolado na Câmara, sob responsabilidade de Alessandro Molon (Rede-AP). Coincidência ou não, uma tempestade caia nos arredores do Parlamento no instante da divulgação do furo de reportagem de Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


De adversários políticos, Aécio e Temer passaram a parceiros na implementação de novo programa político

Na Câmara, onde deputados votavam medidas provisórias, e no Senado, que acabava de aprovar mais uma renegociação das dívidas dos estados, parlamentares de partidos como PT, PCdoB, Psol e Rede passaram a se revezar nos microfones dos dois plenários, lendo a notícia de O Globo, enquanto seus pares protestavam aos gritos de “fora, Temer”. Diante da inviabilidade de consecução da sessão plenária, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou o fim dos trabalhos. Detalhe: há sete MPs na pauta a trancar votações das sessões ordinárias.
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O senador tucano Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao dono da JBS, Joesley Batista. De acordo com a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, em uma conversa de áudio, que durou cerca de 30 minutos, o presidente do PSDB aparece pedindo R$ 2 milhões ao empresário, sob a justificativa de que precisava pagar despesas com sua defesa na Lava Jato.

Valter Caampanato/Agência Brasil


O senador Aécio Neves, do PSDB, foi gravado pedindo dinheiro ao dono da JBS

O encontro entre Aécio Neves e Joesley Batista aconteceu no dia 24 de março, no Hotel Unique, em São Paulo. Na ocasião, Aécio citou o nome de Alberto Toron, como o criminalista que o defenderia. O dono da JBS, no entanto, não teria se surpreendido devido a irmã de Aécio, Andréa Neves, já ter feito menção ao advogado.
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Os empresários Joesley Batista e Wesley Batista, irmãos donos da JBS e delatores da Operação Lava Jato, entregaram ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), gravação de diálogo em que o presidente Michel Temer os incentiva a pagar mesada para comprar o silêncio do ex-deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A informação é do jornal O Globo. Na presença de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Em seguida, segundo a reportagem, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados pelo empresário goiano.

Arquivo/Agência Brasil


O presidente Michel Temer (a direita) foi gravado incentivando os empresários Joesley Batista e Wesley Batista a pagar uma mesada para manter silêncio de Eduardo Cunha

O presidente também ouviu de Joesley que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”. Os dois fizeram acordo de delação premiada. Os depoimentos dos irmãos Batista também comprometem o senador Aécio Neves (PSDB-MG), gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, em cena filmada pela Polícia Federal. Segundo o jornalista Lauro Jardim, os policiais rastrearam o dinheiro e descobriram que ele foi depositado em conta de uma empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG), aliado de Aécio.
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