Mulheres acima dos 45 anos enfrentam mais dificuldades para permanecer no mercado de trabalho Estudo aponta queda da participação feminina com o avanço da idade e reforça debate sobre o combate ao etarismo nas empresas Embora a participação das mulheres no mercado de trabalho tenha crescido nas últimas décadas, a permanência no emprego ainda se torna mais difícil com o avanço da idade. Um estudo recente mostra que a presença feminina nas empresas diminui progressivamente a partir dos 35 anos, evidenciando que muitas profissionais enfrentam barreiras relacionadas ao preconceito etário, conhecido como etarismo. Segundo o levantamento, mulheres com até 25 anos ocupam cerca de 50% das vagas nas empresas analisadas.
Entre 26 e 34 anos, essa participação cai para 46%. Na faixa de 35 a 44 anos, o índice diminui para 43%, reduzindo-se para 39% entre 45 e 54 anos. A partir dos 55 anos, as mulheres representam apenas 30% da força de trabalho, demonstrando que a permanência no mercado se torna cada vez mais desafiadora conforme a idade avança. Especialistas apontam que essa redução não está relacionada à capacidade profissional, mas sim a fatores como preconceito, estereótipos e dificuldades de recolocação. Em muitos casos, profissionais experientes enfrentam resistência em processos seletivos, promoções e oportunidades de desenvolvimento, mesmo possuindo ampla qualificação e histórico profissional consolidado. Outro fator que influencia essa realidade é a chamada dupla jornada.
Muitas mulheres continuam assumindo a maior parte das responsabilidades relacionadas aos cuidados com filhos, familiares e tarefas domésticas, o que pode impactar sua trajetória profissional e dificultar a permanência ou o retorno ao mercado de trabalho. Dados do IBGE mostram que as mulheres dedicam, em média, quase 10 horas semanais a mais do que os homens aos afazeres domésticos e aos cuidados com a família.
Nos últimos anos, o debate sobre diversidade nas empresas passou a incluir também a diversidade etária. Especialistas defendem que organizações que valorizam profissionais de diferentes gerações conseguem reunir experiências complementares, fortalecer a inovação, ampliar a troca de conhecimentos e melhorar o ambiente de trabalho. O combate ao etarismo tem sido apontado como um dos principais desafios para promover maior inclusão no mercado de trabalho. Especialistas também defendem políticas de qualificação continuada, programas de recolocação profissional, incentivo à contratação de profissionais 50+ e ações de conscientização nas empresas como estratégias para enfrentar o etarismo e promover ambientes de trabalho mais inclusivos.
